O Paraíso
Terá realmente existido o paraíso terrestre da Bíblia?
E, na afirmativa, onde estaria situado?
A bem dizer, os contemporâneos já não se preocupam em responder a tais perguntas. A maioria considera a narrativa do Génese como uma velha lenda, semelhante a muitas outras, que não pretende apresentar a verdade histórica. Já houve outros « paraísos terrestres» através dos tempos, mas acabaram por ser destruídos pela loucura dos homens, que pensam que as coisas não se alterarão com um paraíso a mais ou a menos.
Mas tal não é a opinião das gerações que que nos precederam.
Desde o século XVII até ao XVIII, os cristãos apaixonaram-se por estas investigações, não duvidando que podiam encontrar o jardim do éden. As Cruzadas acabavam por revelar o Oriente aos povos ocidentais; por outro lado, com o fim das invasões mongólicas, as vias de comunicação para a Índia e para a China abriam todo o continente a um tráfego cada vez mais intenso. Por isso é que desde o século XIII numerosos viajantes cristãos vindos da Ásia evocam o enigma do paraíso terrestre, procurando descobrir a situação exacta.
Cerca de 1165, o basileus de Bizâncio e o papa de Roma receberam as cartas famosas, mas apócrifas, do Prestes João, rei mítico da Índia, nas quais ele afirmava que o paraíso estava situado a três dias de caminho do seu reino. Mais tarde, o próprio Cristóvão Colombo se interessou por esse problema ao descobrir a foz de Orenoco; persuadido de que tinha chegado às costas ocidentais da Ásia, afirmou que aquele rio imenso devia certamente ter origem no paraíso terrestre.
Nos nossos dias, apesar do cepticismo quase universal, houve todavia sábios de grande valor e eminentes investigadores que se esforçaram por descobrir quais os factos reais, relacionados com o paraíso, que poderiam ter origem na narração biblica. No entanto houve também grandes fantasistas.
Assim, em 1924, um tal Franz von Wendrin sustentou que o paraíso teria existido nos confins de Mecklemburgo e da Pomerânia! A aldeia de Demmin fora o respectivo centro, e os Hebreus haviam sido dele expulsos pelos Germanos!
A alusão a este acontecimento teria sido mesmo feita nas célebres pinturas rupestres do Sul da Suécia, que se deveriam considerar como verdadeiras cartas geográficas estabelecidas pelos antigos Germanos.
Entre as hipóteses relativas à localização do paraíso terrestre – há cerca de oitenta – é conveniente destacar a do orientalista Albert Hermann, que julgou encontrar o paraíso no Hadramaut árabe, país de boswellies ou árvores de incenso. Quanto a nós a mais interessante é do inglês William Willcox, embora a sua tese não esteja isenta de elementos puramente imaginativos. Willcox, que se esforçava por restituir à Mesopotâmia a sua amiga fertilidade, dotando-a com um engenhoso sistema de irrigação, conhecia admiravelmente esta região. Numa conferencia efectuada em Alexandria. e que ficou célebre, procurou extrair o conteúdo técnico de várias narrações bíblicas; o paraíso terrestre, Adão e Eva, Caim e Abel, Noé e o diluvio, bem como as partes essenciais da sua argumentação foram extraídas de dados da hidrografia local.
(…)













Nota: É possível que esta minha “investigação” apenas seja apreciada por mim.
Votos de boa navegação por esses “paraísos”.
o paraíso está onde nós quisermos, seja dentro de nós, seja num lugar, seja uma pessoa…
Olá filha.
Que bom estares aqui a ler-me.
Sim, o paraíso pode estar dentro de nós.
Galáxias de beijos e abraços