Era só o que nos faltava !!!

November 3rd, 2009

imagesNinguém sabe quantos zeros terá, mas a factura da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) vai chegar ao bolso dos contribuintes. Embora ninguém se atreva a apontar um número, a polémica decisão tomada há precisamente um ano vai ter custos significativos para os portugueses.

Quem o garante é o próprio presidente do BPN, Francisco Bandeira, que assumiu a administração do banco depois da demissão de Miguel Cadilhe, em Novembro de 2008. Em entrevista à TSF, Bandeira não quis adiantar quanto irá custar a nacionalização, embora tenha assegurado que a factura não vai ficar a zeros – algo que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, apenas admitiu parcialmente em Junho, quando afirmou que a nacionalização ia representar um custo. Na altura limitou-se a garantir que o Estado ainda não tinha metido “um euro” no BPN. O ministro frisou ainda que essa factura seria sempre inferior àquela que se produziria caso o banco tivesse ido à falência.

Alguns meses antes, Teixeira dos Santos fora mais peremptório ao assegurar às bancadas da oposição que “o Estado não gastou nem envolveu dinheiro dos contribuintes” no BPN e no BPP, salientando também que não deviam ser confundidas as intervenções do Estado no banco com “operações de crédito e empréstimo”.

O ministro nunca disse que não haveria custos, mas deu a entender que estes não seriam suportados pelos contribuintes. Ontem Francisco Bandeira contrariou esta percepção.

Um ano depois da nacionalização da instituição, que se assinalou ontem, o grande problema é que ninguém sabe como fazer as contas. Muito irá depender do valor a que se chegar na privatização, cujo calendário não está fechado – sabe-se apenas que irá concretizar-se em 2010, depois de o governo aprovar o decreto-lei que permitirá a operação. O encaixe da privatização será abatido na factura de 3,5 mil milhões de euros de financiamento que o Estado já injectou no BPN, através da Caixa Geral de Depósitos. Depois será necessário perceber de que forma a nova estrutura privada do banco terá capacidade para pagar o que resta do financiamento estatal, sendo certo que o BPN tem 220 milhões de euros de emissões de papel comercial para liquidar.

Além disso, ainda não está definido o que fica de fora da privatização, ou seja, que activos problemáticos não vão integrar o pacote, o que é relevante para os interessados potenciais. Até ao momento, o Montepio foi o único banco a assumir publicamente estar disponível para negociar. Já o espanhol BBVA declarou que a rede de balcões do BPN é “interessante” e o nome do Barclays tem sido alvo de especulação devido à sua estratégia de crescimento em Portugal.

Porém, o leque de indefinições é tão alargado que se torna quase impossível chegar a um valor definitivo para o custo da nacionalização da instituição para os portugueses. A questão foi repetida já em Outubro por Nuno Melo, o eurodeputado do CDS-PP que protagonizou os ataques mais ferozes à decisão do governo e que ontem pediu a presença no Parlamento de Francisco Bandeira, Teixeira dos Santos, Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, e Faria de Oliveira, presidente da CGD. A 12 de Novembro, o ministério das Finanças terá de entregar na Assembleia da República o balanço das garantias prestadas aos bancos.
Pergunta : Que se passa com o Povo Português???

Posted by Ashera

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